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sexta-feira, abril 22, 2011

Flores da nossa Primavera para ti!

O tempo vai passando e já não somos tantos (como deviamos) os que trazemos viva a tua partida no coração. Porém os que somos temos-te presente como sempre.



Não podemos culpar ninguém...não é esquecimento e muito menos desrespeito pela força que deste aos outros , quando estavas cá. Simplesmente a vida arrasta a maioria ao peso dos seus próprios problemas, não sobra muito tempo para cultivar as amizades, as saudades,ou sequer os pensamentos. Aliás, quando sobra, as pessoas vão-se deixando moer pela lassidão dos seus receios. Inclusivé o receio tão grande que é o de reflectir sobre o seu sofrimento. O sofrimento é visto como algo a que fugir e não como uma passagem ou algo a enfrentar.



Por aqui as trapalhadas do país e do mundo são cada vez maiores. Deitarias "fumo pelas orelhas"! :-))



Mas aguentamo-nos!



Hoje é "Sexta-feira santa", a celebração do passo inevitável antes da passagem para uma Nova Vida. Vê lá se nos vais ajudando, Zé, crentes ou não-crentes, como uma "boa estrela", a tentar vislumbrar essa Vida Nova, de que agora já sabes de certeza mais do que nós.



Olha:até agora, em escasso tempo, já contribuiste para algum "ressuscitar"! Sei que teve "dedo" teu e por isso te agradeço! ;-)
Assim como te agradeço o tempo (embora escasso) em que fomos amigas! (aqui, pois continuamos amigas,claro!). Os outros meus amigos vão dizer que estou de novo com pieguices, a choramingar. Mas recordar e agradecer não é chorar... :-)))



Para ti estas flores, que colhi com os olhos e com a máquina, das primeiras da nova Primavera plantadas num jardim público. Sei que aprecias.



Este post era para ser escrito ontem, pelos 2 meses... mas ainda vai a tempo.



Xi-coração, Zé! Da "Joy".



(foto de Margarida Alegria, tirada num passeio melancólico no dia 23 de Fevereiro de 2011)
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segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Até SEMPRE, querida Zé!

Hoje, às 16 horas, a nossa querida Maria José, --mulher-"guerreira",mãe -coragem, esposa extremosa, professora exemplar-- travou a sua última batalha contra o seu linfoma, num medir de forças injusto e desigual.
Mas a tua luta e a tua causa não partem contigo, queridíssima e linda amiga! Outros precisarão da nossa solidariedade em teu nome, pois nós ainda... PRECISAMOS DE TI!!!!
Continua a iluminar-nos com o teu exemplo de vida e o teu sorriso e que a tua gargalhada cristalina ecoe em todos os recantos da Eternidade! Até sempre, querida Zé!
(Um Xi-coração apertadinho, "mana")
(foto - Margarida Alegria, Cartaxo, encontro "a nossa Prima Vera", 21-3-2o10; ilustração (c)Margarida Alegria, 21-2-2011)

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sábado, abril 03, 2010

Campanha por uma mulher de "fibra"


Nos últimos meses o país foi inundado por campanhas de angariação de dadores de medula óssea. E o país aderiu, com a sua proverbial generosidade. Eram casos de leucemia, de linfoma, apelos dramáticos que tocaram e tocam muitos corações.
Os centros de angariação, incluindo escolas, tiveram de desdobrar, por vezes, os dias de recolha, tal a afluência de pessoas desejosas de ajudar.
A motivação extra surgia de um olhos pestanudos e brilhantes de criança com Leucemia,dos rostos de bebés quase recém-nascidos afectados pela marca madrasta do cancro, de videos com miúdos traquinas de sorriso lindo.
E no meio desses casos surgem os de pessoas também lindas e ladinas como a nossa amiga Maria José. Claro que já adulta, com um linfoma detectado já quando decorria a sua vida familiar(esposa e mãe), a meio de uma carreira profissional consolidada. Mas a "lotaria" madrasta da Vida era a mesma.
É por esta mulher fantástica que fazemos campanha e foi por causa dela criado este blogue. Por esta mãe carinhosa,esposa dedicada, amiga alegre e sensata, professora que se aflige só por precisar de estar uns meses afastada dos seus queridos alunos, por motivos de saúde.
É por esta mulher de "fibra", um exemplo de coragem e de espírito aberto ao mundo e à vida, que continuamos a intensificar os nossos apelos em busca de um dador compatível , ou ,quem sabe, de um tratamento alternativo aos rotineiros do nosso Sistema de saúde. Apostamos na sensibilidade de quem nos lê para nos ajudar a espalhar esta mensagem.
Por este ser humano de excepção, --capaz de de ir buscar as mais ínfimas forças de dentro dos momentos de maior desânimo, esta "traquinas" adulta capaz de nos arrancar uma gargalhada quando precisamos de nos animar, esta amiga de olhos brilhantes e pestanudos capaz da palavra certa de ânimo quando nos estamos a deixar esmagar pelas nossas próprias dificuldades, -- redobraremos os esforços na campanha "Precisamos de ti!".
A Maria José precisa de nós todos, dadores e/ou divulgadores da campanha.
E nós também precisamos de ti, Maria José. Força, amiga!
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terça-feira, dezembro 01, 2009

Há limites para tudo e agora queremos a cura!

A história de uma professora que luta contra um linfoma, mas que encontra a maior fonte de força quando está com os alunos
Por: Filipe Caetanoemailmais artigos deste autor
"Maria, vamos chamar-lhe assim, manteve a doença em segredo durante seis anos. O linfoma não lhe atrapalhava o trabalho, antes pelo contrário, dava-lhe força para ajudar cada vez mais os seus alunos a superar-se. Conseguiu, e não precisou da ajuda de ninguém, até porque o reconhecimento pelo bom trabalho nunca apareceu, mesmo quando ainda a consideravam «normal».
Professora de português no 12º ano, viu alunos seus entre os melhores do país, com notas que quase rebentaram a escala. Na sala de aula não havia diferenças, apenas prazer. Nunca pensou em desistir, apesar de ter direito a baixa médica. «Como poderia deixar de dar aulas se é isso que me dá ainda mais força?». Força, nada poderia caracterizar melhor esta mulher: «Sinto-me bem dentro da sala de aula. Estou bem é com os alunos».
Maria sabe o que é trabalhar com jovens. Tem cinco turmas, cerca de cem alunos. Há pouco tempo, resolveu tornar pública a sua história, ainda que ao PortugalDiário tenha pedido para manter a identidade sob reserva. Quem a conhece saberá quem é, não é necessário revelar muito mais do que isso. Os factos, por si só, já são relevantes.
Na escola, poucos conheciam a sua doença. Preservou o segredo e recorreu à imaginação para esconder os efeitos da quimioterapia. Durante nove meses usou peruca e lenços, faltando apenas nos dias em que tinha de fazer tratamentos. Não quis que tivessem pena dela, nem que lhe dessem «pouco tempo de vida». Preferiu continuar a lutar.
Apenas lhe interessavam os alunos, «vinte e tal juízes por sala, os mais rigorosos de todos», que serviam de «equilíbrio». Lá dentro, o cancro «desaparecia». «Todos os seus alunos de 12º ano obtiveram classificação positiva no exame. A mais alta foi 19,6. Ainda hoje guarda o jornal onde tal está referido, foram quatro ou cinco alunos, a nível nacional, que se aproximaram do 20. A média, essa foi superior à nacional», referiu, no seu testemunho pessoal.
«Estou-me borrifando»
«A vida ensinou-me a mudar a perspectiva das coisas. Passei a viver a curto prazo, dia-a-dia». Diz que se chegar à reforma já será uma «benesse», o que não a impede de se indignar com a inveja e falta de reconhecimento alheios.
Com a progressão na carreira, chegou a professora titular. «Tive a sorte de ocupar cargos que me deram pontos e, curiosamente, entre esses pontos estão o reduzido número de faltas que dei. Foram muito poucos e só quando estritamente necessário. Este novo processo não avalia o trabalho feito nas salas de aula, por isso estou-me borrifando para as grelhas. Os alunos, as aulas, essas são as minhas prioridades», contou, revelando ter recusado sempre cargos de coordenação, por não se sentir capaz de avaliar colegas. «Estou na escola para avaliar alunos».
Frontalmente contra o actual regime de avaliação dos professores, «porque coloca colegas contra colegas», Maria ergue mais uma bandeira na sua vida: «Hei-de lutar até ao fim contra este estado de coisas, sempre e enquanto puder!»"
 Fonte: IOL Diário, 29-09-2008
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